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  • Ana Costa

Qual a importância da morte?

A consciência da nossa própria mortalidade é uma das coisas que nos diferenciam dos outros animais. E apesar disso, vivemos numa cultura onde a negação da morte como um evento normal, natural do desenvolvimento, está profundamente enraizada. Buscamos falar com eufemismos e até mesmo fazemos funerais-relâmpagos, tudo isso pra fugir da morte.



Passamos a vida inteira tentando evitar falar sobre ela como se assim a gente pudesse escapar, mas não tem escapatória, um dia ela chega para todos nós. Nós não buscamos entendê-la, não queremos fazer as pazes com ela, mas com isso a gente perde valiosas lições sobre como caminhar pela vida de forma mais consciente e criativa.


Um dos principais motivos pra gente não querer falar sobre isso é simples: temos medo de morrer. Algumas variáveis são bem importantes na construção desse medo. E esse medo não nasce com a gente. Ele é aprendido, e se desenvolve bem cedo. Ele pode surgir por causa de crenças religiosas, por causa da exposição à morte de outras pessoas e até mesmo por causa do nosso próprio desenvolvimento emocional. Mesmo sem contato com a morte é possível desenvolver um medo quase que paralisante da morte. Isso tem relação com a nossa própria morte e também com a morte de pessoas significativas a nós.


Por mais que a gente acredite que está imune a esse medo, que "não, não tenho medo da morte", ele pode estar profundamente enraizado em nós, e talvez até reprimido.

E por que ter medo da morte seria ruim? Compreender que o medo da morte é universal pode ser um importante passo pra que a gente comece a falar mais sobre isso.


A psicóloga brasileira Maria Júlia Kóvacs comenta que a morte começa quando a gente não se dá conta que a morte existe. Quando a gente se incomoda e prefere deixar pra lá... no entanto, é justamente a consciência de que o tempo que nos resta é limitado e finito que faz com que a gente busque sentido pra nossa própria existência. É esse o combustível que nos move. Já dizia Franz Kafka que o sentido da vida é que ela termina. A gente precisa do simbolismo da busca pelo sentido da vida para que os nossos atos justifiquem a nossa existência.


Enquanto a gente ignora nossa própria mortalidade, a nossa vida fica desprovida de significado. O primeiro passo pra mudar essa realidade é aceitar falar sobre isso! Não precisa ser de forma mórbida ou esquisita, mas sim com a naturalidade que o assunto exige, afinal entender a morte é entender a nós mesmos. E você, o que acha disso?

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