O Escaravelho de Ouro - #12mesesdepoe julho

13:35

Este mês fomos presenteados com um conto que não é de terror! Muitos ficaram surpresos com isso, mas sempre ressalto nas minhas conversas e posts que Poe não escreveu só terror; nesse caso a história que lemos, como o título sugere, é sobre piratas e tesouros enterrados! 


A história se passa na Carolina no Sul, na Ilha de Sullivan, onde um homem chamado William Legrand e seu escravo Júpiter vivem isolados da sociedade após um grande baque financeiro que a família de Legrand sofreu. Pelas pesquisas que fiz, parece que Poe viveu por algum tempo ali durante sua carreira militar, então ele conhecia o local onde se passa a história. Ele ganhou um concurso de escrita e essa foi a história pela qual ele foi mais bem pago em sua vida

Publicado em 1843, o conto é uma ode ao pensamento analítico e um dos pioneiros a falar sobre a criptografia. No conto, Legrand encontra um besouro dourado e um pergaminho e realiza uma caçada absurda por um tesouro que ele nem sabe se existe, deixando seu escravo e o narrador muito preocupados com sua sanidade. 


O personagem Júpiter é sem dúvidas o meu favorito desta história. De todos os contos que lemos até aqui, esse é o primeiro negro retratado, um escravo alforriado. A abolição da escravidão nos EUA aconteceu alguns anos depois em 1863, então naquela época ainda havia bastante escravos, e Júpiter é tratado como um estúpido incompetente; apesar disso, ele é sagaz, forte, leal e se importa demais com Legrand. Por ele ser alforriado ele tinha a opção de seguir seu caminho e abandonar Legrand, mas ficou com ele, o que sugere que apesar dele ser frequentemente xingado e diminuído, Legrand tratava ele bem. 

  "Pay attention, then—find the left eye of the skull." 
  "Hum! hoo! dat's good! why dey aint no eye lef' at all." 

As falas de Júpiter são escritas foneticamente, então em alguns momentos é bem difícil entender o que ele está falando. Li o conto em inglês e em duas traduções diferentes, sendo uma a da Tordesilhas e a outra da L&PM Pocket. Na minha opinião a tradução da L&PM prestou melhor serviço às falas de Júpiter, e imagino que tenha sido um trabalho bem difícil de traduzir porque o negro dos EUA do século XIX era bem diferente do nosso negro na mesma época. No original em inglês fica mais explícito e fácil de compreender os inúmeros recursos linguísticos que Poe usou para retratar Júpiter na história. 



O narrador desta vez é um sujeito confiável, que acompanha Legrand, Júpiter e seu cão na busca pelo tesouro, mas ele é um mero expectador dos acontecimentos, não interferindo na forma como as coisas acontecem. Além disso, o leitor não entende o que Legrand está fazendo até o momento em que ele descobre o tesouro e o leva para casa; a partir daí ele explica para o narrador como ele desvendou a criptografia passo a passo, e percebeu que em sua ilha havia um tesouro pirata, deixando o clímax para o meio da história e não seu final, como estamos acostumados nas histórias de Poe. 

Sorte, teimosia e raciocínio lógico são elementos essenciais nessa história, que por não ser de terror não agradou a todos, mas que para mim, pelo menos, foi de um entretenimento imenso. 


VÍDEOS
A playlist com os vídeos que encontrei mencionando o desafio continua sendo alimentada, e você pode assistir todos abaixo ou dar uma olhadinha direto no Youtube. E se você fez algum vídeo que eu não encontrei, me manda o link aqui nos comentários que eu adiciono na playlist com o maior prazer!



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