Comentando Donnie Darko a quatro mãos - com Tammy Moraes

16:15

Sabe quando você se sente intimidado por um filme, ou livro, porque esse filme ou livro é independente, cult e todos dizem que é difícil de entender, que dá nó na cabeça? Um filme que sempre adiei de assistir pensando essas besteiras foi Donnie Darko, e se arrependimento matasse...! 

Quando a DarkSide Books lançou o livro, vi que já estava passando da hora de perder o receio e assistir de uma vez, principalmente porque não tem como não querer ler esse livro que é cheio de coisas bacanas. Para o post de hoje eu chamei uma amiga querida, Tammy Moraes, que é jornalista e fã alucinada do filme, pra escrever junto comigo. 

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O livro é dividido em 5 partes. A introdução escrita pelo tradutor do livro, Antônio Tibau, me ajudou muito a compreender o contexto do filme, já que eu era marinheira de primeira viagem no universo (ou seria dimensão?) do coelho Frank. Tem um prefácio do ator Jake Gyllenhaal, que interpreta Donnie, e depois uma entrevista com o diretor Richard Kelly. A partir daí temos o roteiro final do filme, que é exatamente o que vemos na tela, depois de todos os ajustes e reescritas. Por fim, podemos ler o livro da Vovó Morte, chamado "A Filosofia da Viagem no Tempo", que explica muita coisa! E fotos de bastidores do filme, além da lista de músicas que compuseram a trilha sonora oficial.

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Entrevista com Richard Kelly
// Tammy //
Minha primeira impressão da entrevista do Richard foi perceber o quão ele é "gente como a gente" no quesito de ter que batalhar bastante com o projeto de Donnie Darko. Tanto que na metade da leitura eu fui pesquisá-lo no google para ver sua aparência. Fiz isso na época em que assisti o filme pela primeira vez mas confesso não lembrar de sua feição. Meu primeiro pensamento foi: "que cara normal!". Como se para fazer algo como Donnie Darko ele precisasse ser um esquisitão sombrio. É engraçado esse tipo de estereótipos que alimentamos sem nem perceber.
Me identifiquei muito com Richard pelos gostos de filmes e livros e por ele ser meio introvertido, não se sair bem em negociações e ao convencer as pessoas a investir em sua arte. Muito legal saber como foi todo o processo de venda do projeto, de lançamento do filme e das inúmeras dificuldades que Richard enfrentou. A impressão que fica é que o projeto se tornou uma aposta de todo mundo que participou, porque teve muita gente que trabalhou por 'camaradagem', por acreditar no roteiro. Muitos detalhes eu não sabia, como por exemplo que a Drew Barrymore tinha se envolvido tanto em Donnie Darko além da atuação. Acredito que relação que o Richard desenvolveu como Jake Gyllenhaal foi muito importante para o ator dar vida à Donnie. É bem clichê dizer isso mas ele realmente nasceu para o papel.

// Anna //
Logo que li os elogios de Richard a Stephen King, ele já havia me ganhado. A admiração dele pelo autor é perceptível no próprio filme, quando os pais de Donnie lêem livros do King em diferentes momentos da história. Quando comecei a observar o filme e o roteiro por uma perspectiva mais analítica, fica bem evidente que o Kelly bebeu muito nas águas da narrativa de King. Ele é direto, pé no chão, mas extremamente imaginativo. Essa coisa do fantasioso no cotidiano me atrai bastante
Vemos também sobre o quanto os pais do Richard influenciaram não só sua carreira, mas também sua história. Sua mãe é professora e seu pai trabalhava na NASA. Certamente o apoio deles foi fundamental para o desenvolvimento de sua forma de contar histórias. 

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Roteiro e filme
// Tammy //
O mais legal de ler o roteiro de um filme depois de tê-lo assistido é que o longa vai passando na sua cabeça conforme a leitura flui. Até mesmo as partes que não estão no filme. Algumas dessas informações estão nos extras do DVD, em "cenas deletadas", como quando Elizabeth entrega Donnie à mãe dizendo que ele jogou os remédios fora. Uma cena que acredito que não poderia ter faltado na versão final do filme é quando Donnie descobre que esteve tomando placebos durante toda a história.

É meio difícil acreditar que esse filme tenha uma fanbase tão grande mas ao mesmo tempo é muito óbvio. Não há nada como Donnie Darko. Lembro até hoje de quando assisti pela primeira vez e o quanto me surpreendi com essa forma de fazer ficção científica. A história era tão real! Nada de roupas esquisitas, armas espaciais, criaturas extraterrestres... Poderia bem estar acontecendo na minha vizinhança. E esse é um ponto que Richard toca durante a entrevista: a importância de chegar o mais perto possível da realidade, do crível, para garantir a verdadeira identificação do público.
Eu costumo dizer que essa história é coisa de gênio. Não por ser complicada, uma ficção científica, mas por envolver o telespectador, fazer ele se perguntar o que realmente aconteceu, se esforçar para entender, criar suas próprias teorias, discutir com outras pessoas. Essa é a verdadeira marca do filme.

// Anna //
Um filme de 2001 que fala sobre uma turbina de avião que cai em cima de uma casa não foi muito popular nos EUA, mas mesmo assim, na boca pequena no fim das contas acabou conquistando uma fã-base muito grande. Engraçado que você assiste e acha que o filme é dos anos 80, o figurino, a produção, e principalmente a trilha sonora incrível te transportam para alguns anos no passado.
Acho tão bacana que durante o filme inteiro o Donnie é um adolescente bem característico, com momentos em que é um completo idiota (nas brigas com as irmãs, quando chama a mãe de cadela, quando abre as calças no meio da terapia). Isso faz o papel dele de herói ao fim do filme ser muito mais interessante.
Fora isso, Donnie Darko é um filme que a gente quer assistir de novo várias e várias vezes, e não é apenas para tentar entender - e sim porque o filme é realmente muito, muito bom.

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Teorias, viagem no tempo e a figura da Vovó Morte
// Tammy //
Depois de assistir o filme pela primeira vez eu li a tantas teorias que meu cérebro quase explodiu! Era na época do orkut e existam comunidades e mais comunidades dedicadas ao assunto. Acabei criando a minha própria, que envolvia um Donnie que, mesmo tendo a escolha de se salvar, preferiu se sacrificar e salvar a todos, principalmente os que amava. Por toda a questão do filme se aproximar tanto da realidade eu fiquei verdadeiramente encantada com a parte da viagem no tempo. Tinha estudado um pouco das teorias de Hawking antes de assistir ao filme e depois de vê-lo eu fiquei pensando "puts, isso é totalmente possível!". Confesso que fiquei obcecada com essa ideia durante um bom tempo.
A Vovó Morte é meu personagem favorito logo depois do Frank. Eu adoro o fato de que ela era uma feirinha que teve uma visão, um insight, e largou tudo para se dedicar ao que ela tinha vivenciado e no que acreditava. É ela que tem as respostas para o que precisamos. É ela que sabe tudo o que está acontecendo ao seu redor.  Adorei o conceito do 'livro no livro' na edição da Darkside e com certeza A Filosofia da Viagem no Tempo explica muita coisa.

// Anna // 

Como não gostar de um personagem cuja única frase no filme inteiro foi: "toda criatura viva neste planeta morre sozinha?". É o tipo de coisa que se perpetua, muito depois de desligar a tevê, de fechar o livro, e vai nos acompanhando com seu realismo pessimista e desconfortante. Vovó Morte <3 
O filme na versão que tem na Netflix - que não é a director's cut -, tem algumas cenas que deveriam aparecer. A que eu mais senti falta foi a cena em que o Frank tira Donnie de casa e fala com ele pela primeira vez, quando ele diz que o mundo vai acabar. Tem algumas frases que foram cortadas que ajudariam um pouco a entender mais cedo toda aquela coisa.
Além disso parece que o Richard Kelly pensou primeiro na trilha sonora pra criar o roteiro em cima daquela ordem específica de músicas (tem playlist no spotify). Acho que nunca mais vou ouvir Mad World sem pensar nesse filme. <3
Quando a gente vai assistindo outras vezes, vai fazendo conexões cujas pistas são dadas durante todo o filme, e a cada vez vai se ligando em um detalhe novo, é uma sensação muito boa, um entretenimento que te faz pensar, que te faz querer conversar com as pessoas, da mesma forma que a Tammy e eu ficamos vários dias trocando mensagens e planejando esse post. Espero de coração que tenham gostado.

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newsletter (http://tinyletter.com/historiasfantasticas) e twitter (http://twitter.com/tammytherobot)

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ISBN-13: 978-8566636994
ISBN-10: 8566636996
Ano: 2016 / Páginas: 240
Editora: DarkSide Books

{ Esse livro foi enviado pela editora DarksideBooks para divulgação no blog } 

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