Resenha: O bebê de Rosemary e a continuação (lixo) de Ira Levin

10:34

Queridos leitores, essa não é uma resenha comum. Ela é uma resenha-desabafo, porque eu PRECISO compartilhar meus sentimentos em relação a esses livros. O primeiro é uma obra de arte que me tirou o ar. O segundo não deveria existir.

O Bebê de Rosemary (1967), segundo livro de Ira Levin e inspiração para o filme de Roman Polanski, é de fato um clássico e leitura obrigatória para qualquer fã de suspense, drama e terror. A edição que eu tenho possui uma introdução escrita por Chuck Palahniuk (Clube da Luta), que explica bem melhor do que eu faria aqui porque o livro é tão bom:

"Antes de Ira Levin, o horror sempre acontecia em outro lugar. Alguém viajando, justificado por um trabalho novo, etc. E independente da razão da viagem, ela sempre acabava mal. O lar constituía essa pequena e segura ilha onde as mulheres podia criar seus filhos em alegria. Isso até Ira Levin trazer o castelo assombrado para Upper West Side em Manhattan. Antes de O Bebê de Rosemary a natureza era o inimigo, em forma de fantasmas, morte e decadência. Agora com o horror urbano de Levin, o inimigo é qualquer um." 

Para quem não faz ideia do assunto do livro, ele aborda a vida do casal Rosemary e Guy, que se mudam para um apartamento em Nova York. Guy é ator e tenta obter sucesso na carreira. Eles conhecem seus vizinhos, o casal Castevet, a quem Guy se afeiçoa facilmente. Rosemary descobre-se grávida de Guy mas durante a gravidez começa a suspeitar da relação dos vizinhos com Guy e os estranhos acontecimentos consigo e com as pessoas ao seu redor, que ela suspeita serem bruxas. Não há muito mais a acrescentar. Leia o livro. Assista ao filme.

o bebê e o filho de rosemary

Agora uma coisa que poucos sabem é que Ira Levin fez uma continuação, 30 anos depois do lançamento do primeiro livro. O Filho de Rosemary (1997), foi lançado no Brasil pela editora Record, e como só encontrei umas 3 resenhas a respeito, todas positivas, tive que vir dar minha opinião.

Eu li os dois livros em sequência, basicamente fechando um e abrindo o outro. A história do segundo começa 30 anos depois do fim do primeiro livro, que acabou com o parto de Rosemary. Ela acorda em um hospital, subitamente, após um coma de 30 anos, e descobre que seu filho é mundialmente famoso por suas políticas de paz.

O livro gira em torno de seu reencontro com ele e suas dúvidas sobre se ele é uma boa pessoa de fato ou se é o anticristo. A maneira de escrever é similar ao primeiro livro, mas este parece ter sido escrito com pressa. É como se fosse um rascunho inicial para algo que poderia ser bom se fosse melhor trabalhado. Ira só aborda o ponto de vista de dois personagens, Rosemary e Andy, e assim mesmo é superficial. Muitas páginas gastas com os passeios de Rosemary pela cidade e reuniões políticas. Poucas páginas construindo os personagens, principalmente Andy, apesar da história ter diversos personagens.


o bebê de rosemary

Mas o pior, meu povo, é o final. Quando a coisa finalmente engata, e você vai ficando entusiasmado, as últimas cinco páginas são a coisa mais WHAT THE FUCK que eu já li na vida. Como um filme de terror clichezão de faculdade. Quase joguei o livro na parede. Que perda de tempo, meu deus. Queria aqui dar um spoiler gigantesco mas é melhor não. Em inglês tem muitas resenhas sobre esse livro falando inclusive o final, a maioria odeia tanto quanto eu e questiona a necessidade dessa continuação depois de 30 anos.

Eu nunca havia ficado tão desapontada com um livro até agora. Leia por sua conta e risco. Eu avisei.

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4 comments

  1. Olá Anna, como andam as coisas, fora essa frustração? rs

    Eu li o primeiro livro há muito tempo, preciso reler. Eu demorei muito pra saber da continuação, fiquei muito tempo desligado desse gênero literário, mas por forças obscuras do destino eu cai na tentação nesse ano e voltei a reler alguns suspenses, etc, mas é bom saber sua opinião quanto ao livro. De qualquer maneira, claro, vou experimentar, mas se de início não for do meio feitio, vai pra janela (6)

    E meu, pior que tem muita história assim, que a continuação é feita nas coxas, não tem a devida atenção, e a porra do autor já tem nome, e o torna atrativo rs Mas fazer o que, por sorte há as resenhas LOL

    Passe bem, moça,
    xoxoxo

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    1. Oi querido! Tudo bem? Eu dou sempre umas 50 folhas de chance pro livro antes de desistir, e esse até que é bem escrito, e a curiosidade falou mais alto, então fui levando sabe? Mas só pra passar raiva depois.

      Quando ler me diz o que achou!

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  2. Infelizmente eu nunca li o primeiro livro (nem o segundo), mas assisti o filme e gostei muito! A história é envolvente porque na maioria do tempo a gente se pergunta se os vizinhos e o marido, de fato, estão envolvidos com essas "coisas demoníacas" ou se a Rosemary está ficando louca rs

    Nem sabia que existia um segundo livro! Fiquei triste por você, pois nada mais broxante que uma continuação bosta de algo que gostamos (é comum, infelizmente).
    Mas confesso que fiquei curiosa pra saber por que o livro é tão ruim rs

    Beijos

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    1. O filme é de fato maravilhoso! Um clássico né?! Ano passado também foi lançada uma mini série com 3 episódios, mas nem de longe tão boa quanto o filme, de qualquer forma é bom pra matar o tempo ahhaha

      Beijos

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