Desapegos emocionais: marcadores de livros

06:30



Buscar uma vida mais simples às vezes é aterrorizante. Me pego olhando pra tudo o que possuo o tempo todo, e junto com o olhar vem a reflexão da necessidade, da beleza, da utilidade e do apego ao que tenho. Alguns dias me sinto radical e quero me livrar de tudo, me mudar pra uma casa sem absolutamente nada e ir preenchendo conforme a necessidade. Em outros momentos me sinto ok com o que tenho.

Vejam bem, nem é muita coisa. As coisas que mais tenho são de fato, itens de papelaria e livros, e nem são tantas assim comparadas com, não sei, a maioria das pessoas que gosta dessas mesmas coisas. Mas as vezes parece ser tanto! Parece não sobrar espaço para mais nada.

Quando esse tipo de sentimento vem à tona, eu costumo procurar alguma coisa pra me desfazer. O sentimento de TER MENOS, de estar precisando de cada vez menos, eu consigo alcançar jogando fora coisas simples como uma caneta velha, um pedaço de papel. Ou aproveitar aquele momento de reflexão quando olho interruptamente pra um objeto específico e questionar: eu preciso mesmo disso? Ele me provoca que sentimentos? Ele é bonito? Ele é útil? Ele é necessário?


No entanto, itens sentimentais me são difíceis de deixar ir. Um desses itens (que na verdade não é um só, e sim dezenas), são marcadores de livros. Na época em que eu fazia parte do Dose Literária, uma forma que encontramos de presentear nossos leitores e divulgar nosso trabalho foi fazendo marcadores manuais de EVA e fita de cetim. Na verdade, eu nunca cheguei a fazer nenhum, mas as meninas de SP eram muito dedicadas a isso e sempre me mandavam alguns, que guardo com carinho até hoje.

Na hora de ler costumo marcar a página com o que quer que esteja na mão, seja um comprovante de banco ou papel de bala, e nem sempre lembrava de usar os marcadores que ficavam juntos em algum lugar da estante. Doei alguns mas ainda restam vários. Depois que a minha grande amiga Eni faleceu, há pouco menos de um ano, ficou ainda mais difícil pensar nesses itens, pois ela dedicou muito de seu tempo para fazê-los, e olhar para eles me faz lembrar dela de uma forma que ainda dói.

Decidi então escolher um, e guardá-lo até que me sinta pronta para deixá-lo ir também. Quanto aos outros, doarei. E para não ficar sem nada, vou manter este marcador de metal que ganhei, que posso trocar de livro pra livro conforme a leitura, e não ocupa muito espaço nem fica irremediavelmente sujo de poeira.


Espero ter tomado a decisão certa, mas meu coração me diz que sim. Nem sempre precisamos de coisas para resgatar a memória das pessoas. Nem sempre.

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3 comments

  1. Parabéns! Essa decisões de livrar-se de algo de valor sentimental acredito eu serem as mais difíceis. Digo por experiência própria, lembra-se daquela camisa que nunca uso, não dou e não jogo fora? já se foram 6 anos que a minha velhinha faleceu e já tenho aquela camisa a 7 anos e não me imagino sem ela, quem sabe um dia!

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    1. Oi amô. São sim as mais difíceis... antes eu não entendia aquela camisa, o macaco e o vaso, mas agora eu compreendo e entendo que cada um tem seu tempo. Te amo!

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    2. Ahhh que linda você ;)
      Me apego mais a camisa porque foi o último presente que ela me deu! Também te amo!

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