Resenha: 3096 dias - Natascha Kampusch

13:37

"A luz do dia se dissipa. O silêncio da noite está em seu caminho. Também como a dor do coração que passa... passam-se os dias."

"Natascha Kampusch sofreu o destino mais terrível que poderia ocorrer a uma criança: em 2 de março de 1998, aos 10 anos, foi sequestrada a caminho da escola na Áustria. O sequestrador - o engenheiro de telecomunicações Wolfgang Priklopil - a manteve prisioneira em um cativeiro no porão durante 3096 dias."

O livro é o relato de encerramento da jovem Natascha, depois de 4 anos após sua fuga do cativeiro. Ela tenta relembrar ao máximo as coisas que viveu  e suportou durante todo aquele período, e ler a narrativa é meio perturbador. Escrito de forma a parecer um desabafo, e mantendo apenas uma frágil linha cronológica, muitas das páginas são verborragias onde Natascha tenta entender o porquê de ela, entre tantas garotinhas, ter sido escolhida por Wolfgang. Em outros momentos, ela faz um relato cru sobre a fome, a solidão, o tédio e os espancamentos ao qual teve que suportar. Não é um livro fácil. É um livro dolorosamente real.

Ela quis entender o que aconteceu com ela. Lutou bravamente para que as pessoas tirassem da cabeça que o que ela sentia por Wolfgang era Síndrome de Estocolmo. E agora que é livre, tenta viver uma vida normal e recuperar o que perdeu, e é duramente criticada por isso. Acho estranho a cultura das pessoas que acha que uma vítima, do que quer que seja, deva passar o resto da vida cultivando o que viveu.

Foi lançado este ano um filme homônimo inteiramente baseado no relado de Natascha. Assisti e comentei sobre neste post. O fato de ter visto o filme primeiro não afetou de forma alguma a forma como encarei o livro: ambos são complicados de absorver. Mas recomendo ambos!



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4 comments

  1. Acho que você deve ficar louco lendo um livro desses. É um baita desafio! Acho que a vontade que você tem é de fechar o livro o quanto antes, não importa o quão bom ele seja.

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    1. Como eu já tinha visto o filme antes, eu estava mais interessada na narrativa do que no conteúdo, mas mesmo assim foi punk.

      Obrigada pelo comment.

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  2. Esse livro deve ser bem difícil de ler mesmo. Eu lembro que li um capítulo na livraria e fiquei chocada, não consigo nem imaginar como ela deve ter se sentido. Tipo, ok, ela fala disso no livro, mas só vivendo um sufoco desses... :/

    Escolha pesada, mas muito real, parabéns.

    Beijoca!

    Raquel Moritz
    www.pipocamusical.com.br

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    1. É sim, bem complicado. Fiquei bem sem palavras quando terminei de ler...

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<3

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